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por A senhora do gatinho, em 20.06.14

Descoberta do ano: os pinypon já têm boca!

(Aviso prévio: este post só fará sentido a quem foi criança (vá, quem brincou) nos anos 80. Para os outros, temos pena que não tenham nascido mais cedo... é a vida!)

 

Hoje, enquanto soprava (de desespero) na fila de uma bomba de gasolina, olhei para uma prateleira de brinquedos (estou expressamente proíbida de olhar para as prateleiras das bolachas) e fiz a grande descoberta dos últimos tempos. Não, dos últimos anos: os pinypon de hoje em dia têm boca, mãos e pernas!

Eu adorava brincar com os pinypon. Esses bonecos, outrora de grandes cabeçorras coloridas, ocuparam durante anos o 2º lugar no meu pódio de brinquedos preferidos. Em primeiro lugar estavam as Barbies, com os seus vestidos e sapatos, e em terceiro as Barriguitas que, apesar de fofinhas e tal, tinham aquela tendência para a obesidade, o que me causava sentimentos ambivalentes.

Pelo que me era dado a perceber na altura, os pinypon eram muito mais baratos do que as Barbies (na minha infância, a Barbie era uma boneca extremamente cara, já para não falar nos acessórios. Felizmente tinha uma avó nos EUA que todos os anos me trazia acessórios da Barbie. Aliás, foi ela quem decidiu que eu já estava demasiado crescida para bonecas e, temendo que continuasse nas Barbies até ao secundário, passou a oferecer-me roupa - erro, grande erro -, desde então virei-me para as roupas e tem sido um desatino). Assim, apesar de ter muitos pinypon (era um presente recorrente), e de gostar de brincar com eles,  quanto a mim tinham três grandes problemas. O primeiro é que não tinham boca. Está certo que a Hello Kitty também não tem boca e todos a acham fofinha (bem, quase todos, há aqueles com teorias macabras para a ausência da boca, um dia escrevo sobre isso), pois como é uma gata desculpa-se, podia dar-se o caso de ter tanto pêlo que a boca fica escondida. Mas os pinypon não, eram mulheres e homens (sim, sim, pareciam meninas e meninos estáticos mas tinham um filho, um bonequinho mais pequenino e careca num carrinho de bebé, e também tinham casa e um monte de coisas que, à partida, os pais adolescentes não conseguem ter). Então, como não tinham boca? Caricato mesmo é que os cavalos tinham boca, as ovelhas tinham boca, os coelhos tinham boca (os pinypon tinham uma quinta, ok?), até o cão cor-se-rosa tinha boca, mas eles não. Confesso que, com canetas de feltro, fiz várias tentativas de bocas nos meus, mas nunca resultou. O segundo problema era os braços e as pernas totalmente estáticos e da cor das jardineiras que usavam. Aquilo também me fazia muita confusão, cadê as mãozinhas, senhores? E sempre de jardineiras? Claro que vestir jardineiras é espetacular, mas no verão faz calor, bolas. E o biquini e o calção de banho, veste-se por cima das jardineiras? Claro que não! Por último, o terceiro (grande, literalmente grande) problema: a cabeçorra. Para já, muitos tinham cores improváveis de cabelo, como cor-de-rosa, verde e azul (nessa altura ainda não conhecia a Wanda Stuart, o que foi uma pena, pois até tive uma pinypon cantora, nem aquela senhora de cabelo verde do SCP), e as pinypon mulheres (claro, mulheres, é sempre com as pobres das mulheres, até nos brinquedos) tinham um problema ainda maior: quando se tirava aquele "capacete" que fazia de cabelo, ficavam com uma cabeça em forma de cilindro, tipo alien, verdadeiramente assustadora.

Tirando isso, eram super fofinhas!

 

A minha primeira pinypon era igual a esta, que encontrei na net, e trazia uma mochila amarela (também estática, que se encaixava e desencaixava nas costas) e um cão cor-de-rosa. Apesar da falta de boca, da cabeçorra, e de todo o corpo ser da cor das jardineiras, traz-me muito boas recordações.

 

E os pinypon de hoje em dia, tcharam:

 

 

=^.^=





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publicado às 23:39


1 comentário

De Ana a 30.06.2014 às 11:04

Eu fui criança e brinquei nessa década mas por acaso nunca tive pinypons. Era mais barriguitas.

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"Espalhou-se logo a notícia de que uma cara nova se passeava pela marginal: uma senhora com o seu gatinho" [adaptado de Tchékhov].

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