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por A senhora do gatinho, em 03.04.14

O meu primeiro gato

Desde sempre desejei ter gatos. Lembro-me de ter 5 anos e de a minha mãe ter dito que, se dormisse com a luzes do quarto apagadas, iria ter um gato. Disse-me que já tinha falado com um senhor que tinha uma gata que iria ter gatinhos e um seria para mim. Todos os dias perguntava pelo gato, e foram tantos dias até me habituar a dormir com as luzes apagadas. Farta de me ouvir, lá a minha mãe disse que afinal já não podia ter o gato porque naquela ninhada só tinham nascido gatas e depois elas engravidavam e seria um problema (as mães deviam ser processadas por dar desculpas destas às crianças), teria de esperar por uma próxima ninhada. Foi o meu primeiro desgosto, logo ali aos 5 anos, para me tornar rija, ou não. Imaginava-o amarelo e ia chamar-lhe Lulu (nome do gato que a minha avó teve em criança). Assistindo ao meu desgosto, a minha avó costurou-me um gato com tecido peludo amarelo e colocou-lhe uns olhos de vidro. Era muito bonito mas, obviamente, não era a mesma coisa. Nos anos seguintes as desculpas que os meus pais davam variavam entre o não termos quem ficasse com o gato nas férias, até ao daqui a nada vais estudar para Lisboa e não o podes levar (claro que podia!), e assim foram passando os anos. Até que aos 24 anos, em Lisboa, sofri um acidente de carro que podia ter sido fatal. Enquanto estava em tratamento, a ver se as pernas voltavam a mexer (felizmente em poucos meses voltaram e hoje consigo andar perfeitamente) comentei com o meu namorado da altura: podia ter morrido sem nunca ter tido um gato. E foi assim que, com 19 anos de atraso, chegou o Xico, o meu primeiro gato, não de pêlo amarelo, mas branco (os rapazes imaginam sempre, ou quase sempre, que as raparigas querem um gato branco, devem ser influências da Hello Kitty) e que hoje está com 11 anos. 

Pena que às vezes é preciso uma tragédia qualquer para se concretizar um desejo tão simples.

=^.^=

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publicado às 00:01


2 comentários

De m-M a 03.04.2014 às 12:01

Até estou de lágrimas nos olhos :')
Passei pelo mesmo, só quando fui morar sozinha pude ter o meu gato... o único macho da ninhada. Preto. O meu menino, o meu companheiro :)
Mesmo que a chegada a casa e o nome dele tenham sido feitos por pessoas que me fizeram mal... ele é o meu bem!

De A senhora do gatinho a 05.04.2014 às 01:33

São uns excelentes companheiros. É daquelas coisas que só quem tem gatos é que percebe. Beijinhos :)
=^.^=

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"Espalhou-se logo a notícia de que uma cara nova se passeava pela marginal: uma senhora com o seu gatinho" [adaptado de Tchékhov].

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