Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]




por A senhora do gatinho, em 10.09.14

Quando se voa para a Universidade

Sempre que chega a esta altura do ano lembro-me da minha entrada na Universidade. Se terminar o secundário é, por si só, uma mudança na vida de qualquer pessoa, acho que para um açoriano que vai prosseguir os estudos no Continente (bolas, não consigo dizer "continente" sem me lembrar do raio do supermercado, não podiam ter arranjado outro nome?) é muito mais que isso. É sair de casa em Setembro e só regressar no Natal, mas um regressar que não é regressar, é "só por uns dias". E será "só por uns dias" por alguns anos, em muitos casos até, daí para a frente, serão sempre "só uns dias". 

Mas voltemos à Universidade. Lembro-me perfeitamente de ir com o meu pai no avião, rumo a Lisboa, para fazer a matrícula. Lembro-me da primeira vez que entrei na residência onde iria ficar "até me ambientar" (argumentos dos meus pais) para depois, com amigas, procurar um apartamento. Lembro-me de comprar o perfume "Ops" no Boticário, umas calças skinny espectaculares na loja por-fi-ri-os da Baixa, um top de alças azul turquesa e outro branco, na zara e de um casacão azul super quente na pull&bear (nunca tinha experimentado um casaco tão quente na minha vida) pois, segundo a minha mãe, o inverno de Lisboa não era como o do Faial. E de facto não era.

Lembro-me de ter levado na mala fotografias da família, dos amigos (especialmente as da nossa viagem de finalistas, a última vez em que estivemos todos juntos) e do namorado do liceu. Mas também lembro-me das lágrimas da minha mãe na despedida e de eu não perceber porquê. Afinal, até tinha entrado no curso que queria, na Universidade que queria e na cidade que queria. Hoje já tenho uma ideia.

À parte de tudo isto, lembro-me de me sentir absolutamente feliz.

Hoje tenho consciência de tudo o que mudou com a ida para a Universidade e, especificamente, para Lisboa. Algumas pessoas deixaram de ser tão importantes, amizades que julgava para a vida, hoje resumem-se a um "olá, tudo bem?". Mas também consolidei amizades antigas e ganhei outras que tenho a certeza que são para a vida. Ah, e muito importante, conheci aquele que me fez descobrir a lamechas que há em mim.

Se repararem, apesar deste texto ser sobre a Universidade, pouco ou nada falo da Universidade. E essa é mesmo a questão, é que para um açoriano, ir para a Universidade não é só mudar de escola, de colegas, de horários, de professores. É, acima de tudo, mudar de vida.

Daqui a um ano terei vivido tanto tempo na minha ilha, em casa dos meus pais, como fora. É isso, estou crescida. 

Se valeu a pena? Claro que sim!

Para quem neste momento está a sair dos Açores em direção à Universidade, o que tenho a dizer é APROVEITEM, aproveitem tudo, pois passa muito rápido. 

E vá, também estudem alguma coisa.

=^.^=

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 00:17



"Espalhou-se logo a notícia de que uma cara nova se passeava pela marginal: uma senhora com o seu gatinho" [adaptado de Tchékhov].

Mais sobre mim

foto do autor